Quando peguei as chaves no bolso, já sabia o que estava me esperando atrás daquela porta. Sentei no sofá da sala e fechei os olhos, memorizando, repassando tudo que se encontrava ali, assim eu fazia todos os dias, já há algum tempo. Os enfeites na estante, lembranças de nossas viagens. Os porta-retratos me sugando a visão com raios de sol neles. E aí percebi novamente. Eu não gostava de aparecer na fotos, e você aparecia com a câmera na mão e ficava me encarando com o braço esticado, até que eu me rendesse e começasse a sorrir, aí você tirava a foto. E eu nem reclamava. Eu olhei tudo e lembrei daquela noite decidindo as cores da decoração. Você querendo que a sala e tudo mais fosse a nossa cara, tudo colorido, e eu queria que fosse tudo branco, simples, e dizia à você que com o tempo tudo ia se ajeitar . E essa sala colorida, cheia de vida, que você arrumou em uma semana, me fez sentir como se você estivesse ali do meu lado, no sofá. Me abriu um buraco no peito. E como todos os outros dias, eu peguei de cima da mesa à minha frente a foto que eu carrego pela casa. Você sorrindo sem preocupação enquanto lia seu livro predileto. O mesmo livro que há meses fica no meu criado-mudo. Eu leio toda noite depois do trabalho. Porque eu não posso e não quero nem por um segundo, esquecer de você. E esses raios de sol batendo nas nossas fotos, me lembram das nossas fugas nos fins de tarde. Então coloquei sua foto no bolso da minha camisa, peguei as chaves e dirigi até a praia. Até a nossa praia. Andei sem calçados até a areia fina e olhando o mar vi nós dois sentados perto da água, conversando e rindo. Nessas conversas você sempre me surpreendia com frases que me deixavam pensando o resto da noite, no que eu diria à você, o que eu pensava sobre o assunto. E quando eu finalmente sabia o que responder, você aparecia com outra novidade, me surpreendendo mais uma vez. Você me deixava de cabeça virada, e eu adorava isso.
Quando peguei as chaves no bolso, já sabia o que estava me esperando atrás daquela porta. Sentei no sofá da sala e fechei os olhos, memorizando, repassando tudo que se encontrava ali, assim eu fazia todos os dias, já há algum tempo. Os enfeites na estante, lembranças de nossas viagens. Os porta-retratos me sugando a visão com raios de sol neles. E aí percebi novamente. Eu não gostava de aparecer na fotos, e você aparecia com a câmera na mão e ficava me encarando com o braço esticado, até que eu me rendesse e começasse a sorrir, aí você tirava a foto. E eu nem reclamava. Eu olhei tudo e lembrei daquela noite decidindo as cores da decoração. Você querendo que a sala e tudo mais fosse a nossa cara, tudo colorido, e eu queria que fosse tudo branco, simples, e dizia à você que com o tempo tudo ia se ajeitar . E essa sala colorida, cheia de vida, que você arrumou em uma semana, me fez sentir como se você estivesse ali do meu lado, no sofá. Me abriu um buraco no peito. E como todos os outros dias, eu peguei de cima da mesa à minha frente a foto que eu carrego pela casa. Você sorrindo sem preocupação enquanto lia seu livro predileto. O mesmo livro que há meses fica no meu criado-mudo. Eu leio toda noite depois do trabalho. Porque eu não posso e não quero nem por um segundo, esquecer de você. E esses raios de sol batendo nas nossas fotos, me lembram das nossas fugas nos fins de tarde. Então coloquei sua foto no bolso da minha camisa, peguei as chaves e dirigi até a praia. Até a nossa praia. Andei sem calçados até a areia fina e olhando o mar vi nós dois sentados perto da água, conversando e rindo. Nessas conversas você sempre me surpreendia com frases que me deixavam pensando o resto da noite, no que eu diria à você, o que eu pensava sobre o assunto. E quando eu finalmente sabia o que responder, você aparecia com outra novidade, me surpreendendo mais uma vez. Você me deixava de cabeça virada, e eu adorava isso.

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