As pessoas me falavam, e as palavras já não faziam sentido algum. Estava num mundo suspenso entre o ar, a terra, o mar e o céu. Enxergava as cores misturadas, ouvia os sons distorcidos. voltando da praia, um vento forte, e um grão de areia entrou em meu olho esquerdo e eu não podia abrí-lo pois doía muito, então fui de olhos fechados até minha casa. Ai eu descobri como é não enxergar. Vontade de ver, lágrimas, e dor durante o caminho. O telefone tocou, avisaram que a situação havia piorado, e que restava pouco tempo, pouco ar, pouca vida. Foram todos se despedir, eu não consegui. Não acreditava que aquilo estava acontecendo. Sai pra caminhar, ver o pôr-do-sol, ja estava escuro, a paisagem era deslumbrante, mas escura como nunca. Andei atônita. Como olhar perdido, que até agora permanece. Durmi na sala com minhas amigas e 9:35 da manhã eu acordo num pulo. Fui até o quarto me vestir para o trabalho, paro e começo a chorar, sentindo um aperto no peito. Já calma, termino de me aprontar....