"Sabe, eu costumava ser aquela garota ali." As mulheres pensam quando vêem ela. Eu pensei. Você olha pra ela e sente uma tranquilidade, pureza, ela fica sentada de braços cruzados, e então você percebe um tal mistério. Ela não conhece o mundo, mas morre de curiosidade. Ela obedece os pais sem falhas. Ela acha que as amigas são rebeldes e não tem futuro, e não eu "nunca vou fazer uma coisa dessas." Talvez já tenha se apaixonado, talvez já tenha até sofrido por amor. Ou talvez ainda esteja esperando pelo primeiro amor, que vai resgatá-la da infância. Ela ainda acredita que existe amor. Ela vai à missa, sabe as músicas da igreja, participa dela. Fica na sala assistindo TV com a família. No fundo, todas as mulheres ja foram essa garota. E por mais que não admitam, ainda têm algo disso dentro delas. Você disse que com ela, "Ah, com ela eu casava, ela sim vale a pena." Então garoto, corre. Aproveita enquanto o mundo e as tristezas contínuas da vida ainda não transformaram-na em alguém como eu, ou como todas as outras. Porque ela ainda é pura. Ela ainda tem um certo mistério de quem tem medo de revelar muito pra não parecer com o resto do mundo. Sabe, não sei se você tem muito tempo. A cada dia a gente ganha e perde uma coisa importante de dentro de nós mesmas. E quanto mais o tempo passa, mais difícil fica lembrar de ser tão boa daquele jeito. Ela quer continuar a ser assim e ao mesmo tempo quer mudar. Corre garoto, enquanto ela ainda está por perto. Arranja um assunto logo. Aproveita enquanto ela ainda não se fechou pro mundo, cançada dele. Vai conhecê-la de verdade. Corre. Ela tá logo ali.